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Se calarmos, as pedras gritarão


Marx foi considerado um dos grandes gênios da humanidade, e fundador de umas das principais correntes ideológicas do século 19, o marxismo, representando três grandes países a partir das concepções da filosofia clássica alemã, a economia política clássica inglesa e o socialismo francês, combinado com as doutrinas revolucionárias francesas em geral. Reconhecido até mesmo pelos seus adversários, a notável consistência e integridade das idéias de Marx, cujo conjunto constitui o materialismo moderno e o socialismo científico moderno; como uma teoria e programa do movimento operário em todos os países civilizados do mundo.

 

Karl Heinrich Marx nasceu em Trier, no dia 5 de maio de 1818. Filho de uma judia holandesa, e de Henri Pressburg (1771–1840), e de um advogado e conselheiro de justiça Heinrich Marx (1759–1834), Karl foi o último de sete filhos. De origem judaica de classe média da cidade de Trier, na época no Reino da Prússia, a família veio a se converter ao cristianismo luterano no ano de 1824, quando Marx ainda tinha seis anos.

Em 1830, Marx iniciou seus estudos no Liceu Friedrich Wilhelm, em Trier, ano em que eclodiram revoluções em diversos países da Europa. Depois de concluir o colégio, Karl Marx ingressou na Universidade de Bonn e depois na Universidade de Berlin, primeiro para estudar Direito e depois filosofia, no qual foi fortemente afetado pelas obras do filósofo alemão Georg Wilhelm Friedrich Hegel. Em Berlin, Marx se engajou no círculo dos “Heglianos” com Bruno Bauer entre outros companheiros, no qual procuravam tirar conclusões revolucionárias sobre forma que se constituía a sociedade a partir da filosofia de Hegel. Nesse período Marx perdeu o seu interesse pelo direito e passou a se dedicar mais aos estudos da filosofia. No ano de 1841, ele obteve o título de doutor em Filosofia com uma tese sobre as "Diferenças da filosofia da natureza em Demócrito e Epicuro".

MARX E O POLÍTICO

Depois de se titular doutor, Marx se mudou para Bonn, com a esperança de se tronar professor. Porém, a política reacionária do governo fez Marx abandonar a idéia de uma carreira acadêmica, e porque depois Ludwig Feuerbach tinha sido privado de sua cadeira em 1832 (e não foi autorizado a voltar para a universidade em 1836), e em 1841 o governo proibiu o jovem professor Bruno Bauer, amigo de Marx, de fazer conferências em Bonn. Então no ano de 1842, impedido de seguir uma carreira acadêmica, ele acaba sendo convidado, juntamente com Bruno Bauer, a participarem de um jornal; e Marx se torna redator-chefe da Gazeta Renana (Rheinische Zeitung). Aproximadamente um ano depois a Gazeta Renana foi fechada, acusada de publicar artigos de ataques ao governo prussiano.

Em junho de 1843 ele casa-se com Jenny Von Westphalen, filha de um barão da Prússia com a qual mantinha noivado desde o início dos seus estudos universitários. Depois do fechamento da Gazeta, Marx mudou-se para Paris e lá assumiu a direção da publicação Anais Franco-Alemães (Deutsch-Französische Jahrbücher) com Arnold Ruge e foi apresentado a diversas sociedades secretas de socialistas. Nesse mesmo ano, 1843, Marx conheceu a Liga dos Justos (que mais tarde iria se tornar a Liga dos Comunistas).

Em setembro de 1844, Friedrich Engels foi á Paris passar alguns dias, e a partir daí cresceu uma amizade e uma parceria que só seria interrompida com a morte de Marx; foi nesse período também que Marx e Engels produziram o primeiro trabalho marxista a “Ideologia Alemã” (The German Ideology). No tempo em que Marx viveu em Paris, ele intensificou os seus estudos sobre economia política, estudo sobre os socialistas utópicos franceses e a história da França, produzindo assim reflexões que resultaram nos Manuscritos de Paris, mais conhecidos como Manuscritos Econômico-Filosóficos. De acordo com Engels, foi nesse período que Marx aderiu às idéias socialistas. Pelo pedido insistente do governo da Prússia, Marx foi expulso da França em 1845, considerado para ambos os governos como um perigoso revolucionário. Ele então migrou para Bruxelas, para onde Engels também viajou. Entre outros escritos, a dupla redigiu na Bélgica o Manifesto comunista.

Em 1848, Marx foi expulso de Bruxelas pelo governo da Bélgica. Junto com Engels, mudou-se para Colônia, onde fundam o jornal Nova Gazeta Renana. Após ataques às autoridades locais publicados no jornal, Marx foi expulso de Colônia em 1849. Até 1848, Marx viveu confortavelmente com a renda oriunda de seus trabalhos, seu salário e presentes de amigos e aliados, além da herança legada por seu pai. Entretanto, em 1849 Marx e sua família enfrentaram grave crise financeira; após superarem dificuldades conseguiram voltar a Paris, mas o governo francês proibiu-os de fixar residência em seu território. Graças, então, a uma campanha de arrecadação de donativos promovida por Ferdinand Lassalle na Alemanha, ele e família conseguem migrar para Londres, onde fixaram residência definitiva até a morte de Marx.

A vida de Marx como um exilado político era extremamente difícil, como as correspondências entre Marx e Engels revelam. A pobreza que Marx e sua família enfrentavam foram momentos freqüentes, se não tivesse sido de ajuda financeira de seus aliados e a constante e dedicada amizade Engels, Marx talvez não tivesse conseguido concluir a sua famosa obra, O Capital. A saúde de Marx já prejudicada por seu trabalho árduo na Internacional (International Working Men’s Association) e com seus incessantes escritos viera se tornar mais debilitada. Porém ele continuou a trabalhar na transformação da economia política e na conclusão do Capital, no qual ele recolheu uma massa de documentos novos e estudando várias línguas (o russo, por exemplo, Marx foi totalmente fluente em alemão, francês e Inglês). No entanto, os problemas de saúde o impediu de concluir os dois últimos volumes de O Capital (que mais tarde Engels juntou a partir de notas de Marx, e os finalizou).

A esposa de Marx morreu em 02 de dezembro de 1881, e em 14 de março de 1883, Marx veio a falecer. Foi enterrado junto a sua esposa no cemitério de Highgate, em Londres.

PENSAMENTO MARXISTA

Durante a vida de Marx, suas idéias não tiveram grandes repercussões. Na Alemanha, a teoria de Marx foi ignorada durante bastante tempo, até que em 1879 um alemão estudioso da Economia Política, Adolph Wagner, comentou o trabalho de Marx e a partir de então, os seus escritos começaram a atrair cada vez mais atenção. Nos primeiros anos após a morte de Marx, sua teoria obteve crescente influência intelectual e política sobre os movimentos operários (ao final do século XIX, o principal locus de debate da teoria era o Partido Social-Democrata alemão) e, em menor proporção, sobre os círculos acadêmicos ligados às ciências humanas.

De acordo com Engels, o marxismo constitui-se como a concepção materialista da História, longe de qualquer tipo de determinismo, mas compreendendo a predominância da materialidade sobre a idéia, sendo esta possível somente com o desenvolvimento daquela, e a compreensão das coisas em seu movimento, em sua inter-determinação, que é a dialética. Portanto, não é possível entender os conceitos marxistas como forças produtivas, capital, entre outros, sem levar em conta o processo histórico, pois não são conceitos abstratos e sim uma abstração do que já existe, tendo como pressuposto que o real, aquilo já existe é o que caracteriza o movimento.

Karl Marx compreende o trabalho como atividade fundante da humanidade. E o trabalho, sendo a centralidade da atividade humana que se desenvolve socialmente, sendo assim o homem um ser social. Os homens como seres sociais possuem uma relação intrínseca a história, isto é, as suas relações de produção e suas relações sociais fundam todo processo de formação da humanidade. Esta compreensão e concepção do homem é radicalmente revolucionária em todos os sentidos, pois é a partir dela que Marx irá identificar a alienação do trabalho como a alienação fundante das demais. É do conhecimento comum que, em qualquer sociedade, o esforço de alguns de seus membros entra em conflito com os esforços dos outros, assim a vida social está repleta de contradições, e a história revela uma luta entre as nações e sociedades, bem como no seio das nações e sociedades, e, além disso, uma alternância de períodos de revolução e de reação, de paz e guerra, de estagnação e de progresso rápido ou de decadência. O marxismo deu o fio condutor, ou seja, através da teoria da luta de classes se deu a descoberta das leis que regem esse labirinto e aparente caos. Caracterizando-se como um estudo sobre a soma dos esforços de todos os membros de uma determinada sociedade ou grupo de sociedades que podem levar a uma definição científica, o resultado destas aspirações. Ora, as aspirações contraditórias nascem da diferença de posição e o modo de vida das classes em que cada sociedade está dividida. E com esta base filosófica é que Marx compreende todas as demais ciências, tendo sua compreensão do real influenciado cada dia mais a ciência por sua consistência.

Algumas das principais leituras e estudos feitos por Marx são:

  • A doutrina de Hegel;
  • O materialismo de Feuerbach;
  • O socialismo utópico francês (representado por Saint-Simon, Louis Blanc e Proudhon);
  • Economia política clássica britânica (representada por Adam Smith e David Ricardo).

Karl Marx estudou profundamente todas essas concepções ao mesmo tempo em que as questionou e desenvolveu novos temas, de modo a produzir uma profunda reorientação no debate intelectual europeu. Esta que veio mudar a forma de toda uma corrente filosófica e sociológica.

http://www.marxists.org/archive/marx/bio/marx/eng-1869.htm

       

Manuscritos econômico-filosóficos (1844)

A ideologia alemã (1845-1846)

Manifesto comunista (1848)

Trabalho assalariado e capital (1849)

O Capital: crítica da economia política (Livro I: O processo de produção do capital)- (1867)